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sábado, 24 de abril de 2010

Querido Amor,

Escrevo-lhe de dentro de um trem. Eu e meu amante de meio período, minha única companhia. Ele, como sempre, de cabeça quente, força-me a parar a minha escrita de segundo em segundo para dele tragar um punhado de coragem. Meus dedos vacilam sobre a folha amassada ao meu colo. Meus medos ainda espreitam-me. O vazio da saudade é forrado por uma fumaça cinzenta que me consome.
Como sentir falta apenas do que não existiu? Nós coexistimos ali, sabe?! Sobre a pele de cada palavra estava o nosso cheiro...
E é tão Incrível como aqui todas as paredes são surdas.
É, meu bem. O tempo chegou de partir e só me restam essas antigas palavras. Um homem à minha frente carrega um jornal novo no seu colo e está repleto delas numa língua que pouquíssimo compreendo. Será que você tentará me compreender?
Vamos lá, a dor da saudade não é tão complexa assim..
Olhos vermelhos levantam para saltar do trem. Olho à minha volta. Não vejo mais utopias, gritos, culpas. Apenas uma bela paisagem vista através da janela de um trem.

E cá entre nós, Garoto Incrível, é linda.


(exumado!)

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