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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fonte de Inspiração Inesgotável

Minha inspiração são meus últimos dias, horas, minutos; o cheiro de pão quentinho às dezoito horas; o barulho de chuva na telha; o friozinho gostoso das cinco e meia. Minha inspiração são meus passos e tropeços, as poças e os lagos; a pedra que lá joguei, a onda que a devolve; o vento, o tempo, a saudade; a angústia, a nostalgia, a tristeza, a solidão, o silêncio barulhento. São meus dias inesperados, meus amigos e inimigos, são conversas mal-resolvidas; são desabafos, desesperos, enganos, medos. São pessoas, amores, paixões, ilusões e desamores. São os olhos dele e as lágrimas dela. São o sorriso bonito daquela pessoa banguela! São as conversas de bar, as sensações, inovações, gargalhadas que as vezes soam como facadas. São meus pensamentos indizíveis, invisíveis ou inatingíveis. São o novo, o velho, o hoje, o amanhã, o nada e o tudo ao mesmo tempo. São palavras sem sentido, que em algum lugar no meio do caminho me identificam. Me decifram. São as banalidades do dia-a-dia. São palavras soltas de um velho bêbado. São o que você quiser. São só palavras.

É, eu gosto de me impressionar com cada detalhe banal da vida.
Pra não virar rotina.

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