Por 3 anos estive escrevendo teu nome em folhas do meu caderno com coraçõezinhos vermelhos voadores ou flechados. Nossos olhos se encontravam entre as paredes do meu quarto, nos meus sonhos, nos delírios de uma garota que não perdia nunca as esperanças. Eu podia ver, podia ver cada momento junto a ti depois de te conseguir de volta, podia sentir cada gosto, beijo, cheiro novamente. Cada dia ao seu lado seria deleito da minha suposta loucura transformada em realidade! Pude ver... Por três longos anos eu pude sonhar e flutuar sobre a Razão que já não me alcançava mais. Todas as suas mãos lá em baixo tentavam me puxar, como um polvo feroz tentando agarrar sua presa, mas minhas asas iam mais longe! Lá estava eu, em cima daquela nuvem rosa e perfeita, com todos os sentimentos à flor da pele, sonhando com o dia que você ia me notar novamente...
Até que você veio. Musculoso, forte, alto, impávido, imponente como nunca antes fora. Com todos os dentes e garras de algum monstro impiedoso qualquer, apoiou a Razão em seus ombros e disse para ela me tirar de vez dalí. E assim ela fez, me puxou e me jogou no chão duro e frio. Todas as verdades pequeninas me rodeavam e riam de mim, caçoavam da pobre garota apaixonada. Cega. Cega por tempo o bastante para nunca antes notá-las. E agora elas cresciam à minha frente. Pareciam enormes!
Fiquei ali durante dias e dias e dias e mais dias. Todos os minutos eram como dias longos e excruciantes de saudade, nostalgia, dor e verdades que me mutilavam aos poucos. Eu queria sumir. Queria ir para bem longe dali! Mas não tinha mais forças. Logo ali à frente estava você e a Senhora Razão, desfilando de mãos dadas bem na minha frente. Você me apresentou a ela como se nada mais importasse! "Que diferença faz?" Palavras suas.
Eu me perguntei por tanto tempo... Que diferença faz? Que porra de diferença faz? E agora eu descobri. Descobri que todos esses anos jogados pela janela do quarto andar da rua 17, foram nada mais nada menos que fingimento. Eu não te amo mais! Desde o dia que te deixei partir, já não te amava mais. Há mais de 3 anos eu não te amo mais, há mais de 3 anos eu finjo que teu nome faz meu coração pulsar e que teu cheiro está por todos os lugares. Mas quer saber? Nem lembro mais do teu cheiro. Cara, eu não te amo mais... Eu só fingi todo esse tempo. Fingi que te amava porque você era um sentido. Um caminho que eu tinha certeza que deveria trilhar, algo que me prendia, que me movimentava... Agora eu sei. Eu não te amo mais! Eu tenho certeza absoluta e digo com todas as letras!
E me sinto bem pior do que quando te amava.

Um comentário:
Me identifiquei bastante, rs.
Belo blog, será seguido. :)
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